17.12.11

Saindo de cena

Celso de Almeida Jr.



Publicado no jornal A Cidade - Coluna Política & Políticos
Ubatuba-SP, 17 de fevereiro de 2001


Não é de hoje que conheço os bastidores da política ubatubense.
De 1981 para cá já militei na política estudantil, conheci as manobras partidárias, auxiliei e coordenei campanhas de prefeitos, vereadores e deputados.
Sei, portanto, aonde piso.
Aprendi muito.
Gratidão especial devo a Nadim Kayat, saudoso amigo, cuja memória procuro cultuar.
Com ele refinei a minha conduta política e ampliei a capacidade de compreender as ações dos políticos.
Por tudo isso, aprendi a acelerar e a pisar no freio.
Hoje, meu instinto manda valorizar o silêncio.
É isso mesmo!
Sairei de cena por algum tempo.
Estranho?
Nada disso!
Aqueles que acompanham os meus textos sabem que meço as palavras, mas não deixo de cutucar a onça. 
Quem acompanhou o comportamento meu e de minha família frente as condutas inaceitáveis do ex-prefeito Zizinho, sabe que coragem não nos falta.
Então, por que calar?
Em mais de 70 artigos acredito ter conseguido expor o meu pensamento.
Se conquistei alguns desafetos, possivelmente também alcancei o respeito de muitos.
Sei das minhas intenções e da minha capacidade.
Não quero ser arrogante.
Mas só se é respeitado quando se faz respeitar.
Foi assim que fui educado.
É assim que procuro agir.
Ocorre que existem projetos maiores que exigem certos sacrifícios.
Eu adoro escrever.
Escrever sobre política e políticos exige a busca da imparcialidade e um distanciamento seguro das rasteiras da classe.
Não se deve temer reações.
É preciso tratá-los como funcionários do povo, muito bem pagos, por sinal.
Não seria correto usar este espaço, gentilmente cedido pelo Benedito Góis, para eu ficar bajulando os donos do poder ou malhando sem parar só para vender a preço de ouro uma guinada regada a confete.
Assim, piso com os dois pés no freio e puxo, junto, o freio de mão.
Mergulho com muito enstusiasmo numa parceria que permitirá, no médio prazo, viabilizar uma série de projetos sociais, que representam sonhos antigos.
Tudo através do Instituto Salerno-Chieus, um importante organismo do Colégio Dominique, sob assessoria da conceituada BCA paulista.
Em alguns anos, muitos jovens ubatubenses colherão os frutos desta empreitada.
E, eu não poderia permitir que algum político, ressentido com as minhas opiniões, torpedeasse e naufragasse este projeto que envolve muita gente competente, respeitada e bem intencionada.
E, caro leitor, quem conhece bem os políticos sabe que esta repugnante conduta é mais comum do que se imagina.
Registro - em tempo - que não estou optando por um silêncio irresponsável.
Sinto-me como um soldado que precisou trocar o front pela estratégia.
Uma função menos perigosa, sem dúvida, mas fundamental para vencer qualquer guerra.
Minhas canetas, porém, continuam municiadas e não será difícil eu ter uma recaída.
Logo, deixo aos políticos desavisados uma mensagem fraternal: Estou de olho!
Finalizando, conto com a compreensão dos amigos leitores que brindaram-me semanalmente com total atenção.
Estarei distante do "A Cidade" por longo tempo, mas não deixarei de dar a minha contribuição para o desenvolvimento de Ubatuba.
Será de uma forma mais discreta mas, espero, que permita um eco duradouro.
Aos companheiros de redação a aos leitores fiéis, transmito os meus agradecimentos e lógico, um esperançoso:
Até um dia, se Deus quiser!

O Trem das Onze
Adoniran Barbosa